Tal como o presidente da república, também estive uns dias a reflectir até escrever este post, não por querer, mas por falta de tempo, o que acaba por ser igual, visto que o presidente esteve na Madeira a passear.
Entretanto a França e a sua coligação continuam a bombardear a Síria, os terrosristas a orquestrarem ataques na França e a Turquía abate um caça Russo, tudo normal, não fosse em Portugal o presidente parar de reflectir para indigitar o Sr. Costa a formar um governo de «esquerda unida».
Mas isto parece estar a afectar o quotidiano deste povo sereno, principalmente o feed do Facebook que mais se parece com o muro das lamentações em Jerusalem, parece mais grave e ilegítimo para uma parte significativa da população portuguesa a formação de um governo de maioria parlamentar  de esquerda do que as atrocidades que o anterior governo de direita fez ao longo de quatro anos.
Mas porque será assim? A maior parte por ignorância, porque é fixe pertencer a um partido e porque o pai e o avô votam desde sempre no PSD, é como ser do Benfica, só por influência; outros, porque gostam de ganhar e votam sempre naqueles que vão à frente nas sondagens, já que o seu clube não ganha e ficam irritados por terem sido desclassificados; e por fim os capitalistas que tem medo de perder a esfera de influência e de manipulação dos trabalhadores, que são os únicos que tem a perder.
Como não me revejo em nenhum desses estratos de indignados, só posso dizer, Aleluia Cavaco.

Somos todos Paris, não é ?

O Michel estava naquela noite memorável a fazer o que mais gostava, estava atrasado, tinha acabado de sair de trabalho e preparava-se para chegar ao Stade de France para ver o seu país a defrontar o seu arquirrival, era só um amigavél entre a França e Alemanha, mas para muitos franceses tal como para ele, era também uma questão de orgulho ferido e de ajuste de contas. O Charlie Hebdo já tinha passado e as questões no médio Oriente não interessavam, só lhe incomodava o facto de estar a ser invadido por refugiados, mas o mais preocupante para ele não era  os refugiados mas o patrão que lhe pedia sempre horas extra sem ser pago. Marie, ia com as amigas ver o famoso concerto, estava ansiosa, tinha pedido à mãe uma semana antes e tinha poupado 20 euros em tabaco para poder ver um dos estilos que mais lhe agradava, o ocidental country rock. e poder sair da rotina quotidiana de uma estudante de secundário num dia que lhe permitia, afinal era uma sexta feira à noite. Estes dois nomes tem algo em comum, nem é preciso acabar a história, ambos agonizaram e deixaram a sociedade agonizada com o horror de algumas pessoas e acabaram por ser uma das mais de 150 vitimas deste massacre ocorrido em París em simultâneo.
No outro lado do mundo em Niger, na Nigéria, Rabiu de 9 anos tinha acabado de sair da escola, andava no segundo ano apesar da idade, não tinha dinheiro em casa porque a mãe era mãe solteira de 4 filhos e como filho mais velho tinha responsabilidades, então ia vender chapas de zinco que apanhava na lixeira para o mercado, assim o fez como habitualmente, mas ao chegar ao mercado foi raptado, ele e mais 200 crianças, ainda hoje não se sabe de nunhuma. Asma já nem sabia o que era escola, tinha 12 anos, mas desde o início da guerra deixou de poder ir à escola, primeiro porque tinha medo, depois porque ficou detrúida e depois porque já nem professores havia, apenas montes de cimento entulhado naquele enorme caos chamado Síria. Como habitualmente para não ser vista pelo ISIS, Asma fechava-se em casa, mas naquela sexta eles vieram e levaram-na, a ela e à mãe que estavam sós desde que o marido tinha partido em busca de auxílio para a Europa Proíbida, que lhes aconteceu perguntam vocês? tiveram o mesmo destino que Michel, Marie e Rabiu, foram mortos pela ganância de todos nós.
A mesma ganância que matou na passada sexta feira mais de uma centena de pessoas em Paris foi a mesma que matou centenas nesse mesmo dia na Nigéria, na Síria e em muitos outros locais que não foram mencionados, foram os mesmo interpretes, foi o mesmo financiamento, só foi diferente a reacção porque afinal nós somos de primiera não é? a França é do melhor e a Síria o inferno? cada um colhe o que semeou, não é?
Semeia ventos, colhes tempestades… semeia medo, colhe segurança….semeia ignorância, colhe violência .
Eu prefiro semear a esperança e colher sei lá o quê, mas não esta ganância de certeza. Por isso, antes de rezar penso !

 

O pobre do super-homem

Manuel levanta-se cedo pela manhã. Beija a mulher, toma banho, come a sandes do pequeno-almoço, vês os filhos dormindo em seus quartos e sai para o trabalho. O Manuel trabalha na fábrica, onde muito transpira. Almoça na fábrica, comendo as sandes que a esposa lhe havia preparado no dia anterior. Volta ao seu trabalho, um de 8 horas que rapidamente se transformam em 12

– Falta isto Manel!!

o Manuel resolve, não protesta, precisa de dar comer aos filhos

– Falta aquilo Manel!!

o Manuel engole o sacrifício, tem de pagar a renda da casa

– Falta tudo Manel, vê se vens mais cedo amanhã, se não quiseres trabalhar, há quem queira!

o Manuel faz. O super-homem Manuel faz.

O Manuel chega a casa com a noite posta. Toma o banho que lhe retira a transpiração do corpo (mas que nunca tirará o desgaste).  Visita o quarto dos filhos que já dormem

– Boa noite meus filhos, o pai ama-vos muito.

O Manuel deita-se na cama com a mulher. É fim do mês. Hoje, ou amanhã, ou talvez na semana seguinte.. O Manuel receberá os 505 euros. E esperará, ansioso, pelo mês seguinte.

Esta é a história do Manuel. O super-homem pobre, o pobre do super-homem.

Os paraísos e os infernos da Terra

É um mundo novo, de século XXI, este em que vivemos. Condições de bem-estar e segurança? No geral. Na Europa, na América (oh God, loving America), no Dubai. É um mundo de paraísos, como se estivéssemos todos a ganhar asas. A paz? Que bom ter paz e sossego para que os nossos filhos possam ir à escola. Que bom tentar que as próximas gerações não fiquem com vergonha de nós quando estudarem a nossa parte da História. Tirem-lhes as favelas e os bairros sociais. Não ponham a desgraça e a pobreza nos livros de estudo. Se tentarmos esquecer os infernos desta Terra, deixarão eles de existir?

Vá, guardem a fome no bolso do casaco

Cheguem aos paraísos da Terra e vejam o horizonte: os infernos às vezes estão mesmo à nossa frente

A terra “Sagrada”

Há milhares de anos, que as terras próximas do médio oriente são alvo de grandes disputas, tudo isto porque são «sagradas» para a sua população, tal como a minha terra o é para mim e como a tua o é para ti. Mas porque é que o que existe de mais sagrado, a vida humana, é constantemente aniquilada em nome de qualquer coisa ?.
Lá está, isto porque preferimos amar os objectos às pessoas e o dinheiro à bondade.
A Palestina já existe há centenas de anos. Vamos continuar a perguntar-mos se reconhecemos a nação Palestina ? Sim, se continuarmos a sermos alienados de modo mercantilista e global.  Quando será preciso abordar a questão de forma diferente?, quando será preciso sermos humanos  e abordarmos primariamente  a problemática da questão do reconhecimento do estado Israelita ?

Um sonho possível.
 Um dia normal em Gaza.

Saudades de José Saramago

Por estes lados querem, a qualquer custo, privatizar a água e a TAP. Isto é, como há anos disse o Saramago, querem privatizar o mar e o céu. Estão loucos e não há, infelizmente, muitos portugueses que se preocupem. Andamos aqui muito preocupados em sobreviver. Penso que tem vindo a iniciar-se a fase final do Capitalismo e pode ser que este processo dure largas décadas. Fazem falta homens e mulheres de Esquerda que apontem um caminho, que plantem garras nas unhas das pessoas. O Mujica é pouco. A Esquerda portuguesa é pouco. A Esquerda europeia é muito pouco. A Esquerda do resto do mundo é estranha. As boas pessoas têm morrido todas. Faz muita falta o Álvaro Cunhal, o Giorgio Gaber, o Berlinguer, o Chavez, o Mandela. O Saramago. O Saramago era os nossos óculos de ver ao perto. Desviava a poeira dos nossos olhos, desvendava-nos. Nesta fase da vida do mundo, sente-se falta do José Saramago, que deve estar, neste exacto momento, a dizer-lhes para irem privatizar a puta que os pariu a todos.

A guerra da paz

Será  possível viver completamente em paz, sem guerra?.. Mas o que é a guerra?
Poderia simplesmente descrever a guerra como os media a descrevem, como um conflito, onde pessoas ficam sem membros, familiares, casa ou mesmo sem a própria vida.
Mas a guerra é algo muito transcendente, todos nós a sentimos, de uma forma ou de outra contribuímos para que esta exista e para que se prolongue no futuro.
Desde de pequenos nos ensinaram a pedir e a rezar pela paz, mas esse não tem de ser o nosso estigma, ser conformista não beneficia a situação actual… Temos que perceber de onde vem a raiz do mal, por isso precisamos de ser radicais ideologicamente, pois é aí que reside o problema de tantos conflitos no mundo, esse problema ideológico de nome capitalismo, tem alimentado e sobrevivido graças a desgraça dos povos…
As guerras sempre foram o combustível do capitalismo, este para sobreviver precisa de uma exploração exponencial de recurso naturais, só possível com a guerra, seja esta armada, económica ou social.
A base deste sistema assenta na exploração do Homem pelo Homem, uns são usados como carne para canhão, outros como cobaias, outros escravizados, apenas e somente com o intuito de manter o topo desta pirâmide composta por uma restrita minoria com os privilégios de sempre e com o poder imune.
Mas como é possível uma pequena minoria controlar o destino de uma larga maioria ? … ainda pior, como é possível dividir uma grande maioria em pequenos fragmentos para que estes se auto aniquile ?
Eles conseguem-no mantendo-nos ignorantes, controlando os media, utilizando o ser humano como uma utilidade para atingir determinado fim e não para usar um fim com vista a utilidade  humana.
Resta-nos ser diferentes, querer e lutar por um mundo diferente, onde não nos revejamos num sistema tão porco e sujo, que precisa de guerras para sobreviver, onde o fim seja a felicidade humana e não seja esta um meio,  pois uma sociedade onde a ganância impera, é impossível alvejar a paz.
Como diria um velho sábio de barbas brancas:
“As bombas podem matar os famintos, os doentes, os ignorantes, mas não podem matar a fome, as doenças, a ignorância”
Porque uma gaivota pode voar livremente sem incomodar a paz de uma pomba !
 
 
 
Augusto da Serra

Empregos exclusivos para alguns portugueses à volta do Mundo

Portugal desde os anos 60 do século passado que é uma país de emigração, acentuando-se esta questão nos últimos 4 anos com a governação do Coelho, onde mais de 400 mil portugueses foram forçados a sair do cantinho à beira mar plantado, mas para quem vai ser agora forçado a saír ou por preferência quer emigrar em busca de melhores condições, o que acaba por ser igual, aqui ficam os melhores empregos nos mais diversos países à volta do mundo.

1 – Líbano – primeiro ministro e ministros
2 – Chipre – jogador da bola
3 – México – narcotraficante
4 – Estados Unidos da América – corretor do Wall Street
5 – Síria – terrorista
6 – Vaticano – pedófilo